Escolha de ex-BBB Gyselle Soares para interpretar heroína negra Esperança Garcia é alvo de protesto: “Embranquecimento”

Publicado em: 13/10/2021

          Foto: Reprodução; Instagram / Jociel Fotografias; Divulgação

 

Pessoas ligadas ao movimento negro do Piauí protestaram na noite de terça-feira (12), em frente ao Theatro 4 de Setembro, no centro de Teresina, contra a atuação da ex-BBB Gyselle Soares na peça Uma Escrava Chamada Esperança. A participante do Big Brother Brasil 8 interpreta Esperança Garcia, mulher negra escravizada reconhecida pela OAB como a primeira advogada do Piauí. Os manifestantes criticam que o papel emblemático tenha sido atribuído a uma atriz não negra.

Ao portal G1, Sônia Terra, da Rede de Mulheres Negras do Piauí, definiu a escolha da ex-BBB para interpretar a advogada como “embranquecimento de uma pessoa negra”. A ativista manifestou preocupação com o imaginário distorcido que a peça pode criar acerca da figura histórica de Esperança Garcia:

“As crianças que vão assistir o espetáculo vão ficar na cabeça que Esperança Garcia é uma pessoa branca”, disse Sônia.

Já Gyselle defendeu o direito artístico de “viver o que quiser” enquanto atriz, mas disse respeitar a opinião dos manifestantes. Em relação às críticas por ser uma mulher branca interpretando uma figura importante para o movimento negro, a ex-BBB afirmou se considerar “de todas as cores”.

As pessoas têm que comentar o que acham, a gente tem que respeitar o direito de resposta delas, e é importante pra mim como atriz poder ser qualquer coisa, posso viver o que quiser, se eu quiser ser uma leoa, vou ser uma leoa, se quiser ser uma escrava, vou ser uma escrava e viver de uma forma bonita — iniciou Gyzelle, em entrevista à TV Globo local.

“Eu me considero todas as cores, sem cor, um ser humano com coração que pode sentir tudo, de todo mundo. Estamos no mundo, somos todos iguais, nossa pele não tem cor, nosso coração não tem cor, não podemos nos definir assim”, completou.

Esperança Garcia tornou-se conhecida após escrever uma carta ao governador do Piauí, em 1770, para denunciar seu sofrimento e de sua família enquanto escravizados. O manuscrito foi encontrado em 1979 no arquivo público do Piauí, pelo pesquisador e historiador Luiz Mott. Em 2017, ela foi reconhecida pela Ordem dos Advogados do Brasil como a primeira advogada piauiense.

 

GaúchaZH

 




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