Lula insinuou durante festa do PT que julgamento do petrolão será político

07/02/2015

Por Josias de Souza

Em sua primeira manifestação pública sobre a Operação Lava Jato, Lula comparou o petrolão ao mensalão. Fez isso para insinuar que o novo escândalo terá um julgamento político. “Estamos assistindo à repetição de um filme com final conhecido”, disse ele na festa de 37 anos do PT.

Eis o roteiro do filme que Lula antevê: “Pessoas são acusadas por meio da imprensa, com base em vazamentos seletivos de uma investigação à qual somente alguns têm acesso. Não há contraditório, não há direito de defesa. E quando o caso chegar às instâncias finais da Justiça, certamente o julgamento já foi feito pela imprensa, os condenados já foram punidos. Restará apenas executar a sentença, como nós já vimos nesse país.”

Em abril de 2014, numa entrevista à emissora portuguesa RTP, Lula afirmara que o julgamento do mensalão pelo STF “teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisões jurídicas.” Acrescentara que “não houve mensalão” e que “o processo foi um massacre que visava destruir o PT.”

Lula fez a analogia entre os dois escândalos que enodoam a Era petista num discurso escrito. Ao explicar à plateia que o ouvia num auditório de Belo Horizonte por que desistira de falar de improviso, o morubixaba do PT desancou a Polícia Federal e saiu em defesa do tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que havia sido recolhido em casa na véspera, para prestar depoimento.

“Não tenho por hábito ler discurso num encontro do PT”, disse Lula. “Mas eu ontem fiquei indignado. Então, tomei muito cuidado para não repassar aqui, nessa festa de 35 anos, a indignação. Seria muito mais simples a Polícia Federal ter convidado nosso tesoureiro para se apresentar do que ir buscá-lo em casa.” Lula se absteve de recordar que os agentes federais foram à residência de Vaccari por ordem da Justiça. Executavam um mandado judicial de condução coercitiva do investigado.