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Dores pós treino levam mulher a descobrir câncer de ovário avançado

12/05/2026

O câncer de ovário é conhecido por evoluir de forma silenciosa e apresentar sinais pouco específicos, o que costuma atrasar o diagnóstico. No caso da gerente comercial de São Paulo, Ana Prado, de 46 anos, os primeiros sintomas foram interpretados como algo simples, ligado à rotina de exercícios.

Ana vivia uma fase ativa e saudável. Havia perdido peso, frequentava a academia diariamente e conciliava o trabalho com atividades físicas. No início de abril de 2024, começou a sentir dores nas costas após os treinos e acreditou que tivesse exagerado em algum exercício. “Imaginei que tivesse feito algo errado na academia”, relembra.

Sem melhora, ela procurou um ortopedista, recebeu o diagnóstico de contusão muscular e iniciou o uso de medicação, mas não teve resposta. Dias depois, durante uma caminhada curta, sentiu muita falta de ar e um cansaço intenso.

“Voltei para casa e fiz uma consulta por telemedicina. A médica me orientou a ir imediatamente ao pronto-socorro, pois tinha 90% de certeza de que eu estava com água no pulmão, algo que só poderia ser confirmado por um raio-X”, conta.

O exame de imagem confirmou a suspeita. Ana estava com derrame pleural- acúmulo de líquido no pulmão. Em uma cirurgia, foram retirados cerca de 3,5 litros. “O médico disse que não entendia como eu tinha suportado aquilo tudo”, recorda. Até aquele momento, não havia suspeita de câncer.

A resposta veio dias depois, com o resultado do exame do material coletado durante o procedimento. Ao abrir o laudo, ainda a caminho da consulta, ela se deparou com o diagnóstico. “Li carcinoma de ovário e perguntei para o meu marido se aquele nome era ruim. Foi um choque”, conta.

A confirmação surpreendeu até a equipe médica, já que os sintomas iniciais não estavam diretamente ligados à região ginecológica. “Como podem descobrir um tumor no ovário através do pulmão?”, questionou na época.

Segundo a oncologista Débora Dornellas, do Einstein Hospital Israelita, esse tipo de achado é comum. “É uma doença que não tem exame de rastreio e, na maioria das vezes, é diagnosticada em estágio avançado, quando já atingiu outras regiões”, explica.

Ela destaca que os sinais costumam ser inespecíficos. “Dor abdominal, sensação de estufamento e aumento do volume do abdômen podem parecer algo simples, mas precisam ser investigados quando persistem”, afirma.

 

Metrópoles/Fotos: Arquivo pessoal/Reprodução

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