Áudio: Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para filme sobre o pai e banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção; ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre’
14/05/2026

O banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro – e as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pressionava pelos pagamentos.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em uma mensagem enviada pelo WhatsApp em 16 de novembro de 2025.
Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em São Paulo, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.
Segundo o portal Intercept Brasil, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme “Dark Horse” entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro, de acordo com o site, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos de um aliado de outro filho do ex-presidente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Segundo o Intercept, parte dos pagamentos determinados por Vorcaro foi feita por meio de uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações, vinculada ao banqueiro. Segundo o site, a empresa é mencionada em mensagens trocadas sobre o tema entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel.
As informações foram reveladas nesta quarta-feira (13) pelo portal Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre os dois e a um áudio enviado por Flávio ao banqueiro em setembro do ano passado (ouça o áudio no vídeo acima).
A TV Globo confirmou com investigadores e pessoas com acesso às informações o conteúdo da reportagem e a existência do áudio.
A colunista do jornal O Globo, Malu Gaspar, revelou que registros entregues pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do Senado mostravam que o Master repassou pelo menos R$ 2,3 milhões a essa empresa em 2025, ano em que se deram os repasses de Vorcaro para o filme.
A colunista também ouviu o publicitário Thiago Miranda, identificado pelo Intercept como o responsável por colocar Flávio Bolsonaro e Vorcaro em contato.
À coluna, ele confirmou ter intermediado as negociações para que o banqueiro aportasse R$ 62 milhões na produção cinematográfica. Miranda disse ainda que os repasses foram suspensos com a crise no Master e que a ligação de Vorcaro com o filme não seria pública.
‘Momento dificílimo’
Na mensagem de áudio enviada por Flávio a Vorcaro em 8 de setembro, o senador diz entender que o banqueiro passava por um “momento dificílimo” – poucos dias antes, em 3 de setembro, a compra do Master pelo BRB havia sido rejeitada pelo Banco Central – e que ficava “sem graça” de cobrar, mas pedia uma posição de Vorcaro sobre pagamentos pendentes.
“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador.
O Intercept mostra contatos frequentes entre Flávio e Vorcaro sobre o tema. Em 22 de outubro, Flávio volta a enviar mensagens a Vorcaro dizendo que estavam “no limite”. No mesmo dia, o senador convida Vorcaro para um jantar com o ator que fazia o papel de Bolsonaro no filme, Jim Caviezel. Vorcaro aceita e propõe que o encontro ocorresse em sua casa, o que é aceito pelo senador.
Muitos dos contatos envolviam ligações telefônicas e mensagens com imagens de visualização única. Em 16 de novembro, após o envio de duas dessas mensagens, Flávio diz:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”
Vorcaro responde com uma mensagem de visualização única, ao que Flávio reage: “Amém”.
No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF), enquanto embarcava em Guarulhos. A prisão foi o começo das investigações sobre uma rede que envolve fraudes bilionárias, corrupção de servidores públicos e até o uso de uma “milícia privada” para intimidar opositores.
As fraudes envolvem operações irregulares e negócios com o BRB (Banco de Brasília), que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.
O senador foi questionado na tarde desta quarta-feira (13) por repórteres sobre o tema ao sair do Supremo Tribunal Federal (STF), mas apenas deixou a entrevista, dizendo se tratar de “dinheiro privado”.
Mais tarde, o político divulgou um vídeo confirmando o pedido de dinheiro a Vorcaro, mas negando irregularidades. Ele afirmou ainda não ter “relações espúrias” com o banqueiro e defendeu a realização de uma CPI do Master.
Áudio mostra Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro para filme do pai | Jornal da Band Jornalismo
Do g1/Band Jornalismo
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