Federação PT-PCdoB-PV busca consenso para fechar nominata de deputado federal
12/06/2026

Federação PT-PCdoB-PV busca consenso para fechar nominata de deputado federal - Foto: Vinicius Loures / Câmara; Francisco de Assis / CMN; Reprodução/Instagram
A federação Brasil da Esperança — formada por PT, PV e PCdoB — enfrenta um impasse interno para montar a nominata de candidatos a deputado federal no Rio Grande do Norte. Com mais pré-candidatos do que vagas disponíveis, o grupo busca alternativas para chegar ao limite de 9 nomes que poderão disputar mandato em 2026 pela chapa proporcional, respeitando a exigência de cota de gênero.
O PT tem, atualmente, seis pré-candidatos a deputado federal: Alexandre Lima, Brisa Bracchi, Fernando Mineiro, Marleide Cunha, Natália Bonavides e Odon Júnior. O PV, por sua vez, apresenta dois nomes: Doutor Bernardo e Thabatta Pimenta. E o PCdoB trabalha a candidatura de Silvério Filho, mas, para isso, precisa ter também uma mulher como candidata, para respeitar a cota de gênero. Com isso, a chapa dispõe, ao todo, de 10 nomes.
A solução do impasse poderia vir através da retirada da candidatura do PCdoB, mas o partido resiste à ideia pois precisa de votação no RN para cumprir a cláusula de barreira nacional. Por isso, nos últimos dias, a principal ideia levantada internamente é que haja um acordo entre Alexandre Lima e Brisa Bracchi para que apenas um dos dois seja candidato — ambos integram a mesma corrente no PT, a Democracia Socialista (DS).
Em entrevista à rádio Jovem Pan Natal, o ex-prefeito de Currais Novos e pré-candidato a deputado federal Odon Júnior admitiu que a definição ainda está aberta, mas procurou afastar a ideia de crise. Questionado sobre quem terá de desistir da candidatura, diante do excesso de nomes, ele disse que o assunto será resolvido internamente.
“Isso é uma questão que ainda vai ser definida. Acho que não vai ter maiores problemas, vai chegar num entendimento em relação a isso daqui a alguns dias ou algumas semanas. Acho que isso se resolve sem maiores problemas, internamente”, afirmou.
Odon reconheceu que existem diferentes critérios possíveis para organizar a chapa. Segundo ele, a federação pode considerar a representação das correntes internas, o desempenho dos pré-candidatos em pesquisas ou até uma disputa interna, embora tenha defendido que o caminho preferencial seja o acordo político.
“Se cada corrente indica um, é um cenário. Se pegar o critério das pesquisas, quem está melhor representado é outro cenário. Se pegar um cenário de eleição interna do PT, de voto, é outro cenário. Mas eu acho que isso vai ser resolvido na política”, declarou.
Para o petista, a solução deve passar por diálogo e construção coletiva. “Na política é o quê? O diálogo, a construção coletiva de chegar num entendimento, numa saída para não precisar nem ir para voto”, acrescentou.
Odon Júnior afirmou que, independentemente da configuração do grupo, o objetivo é ampliar a bancada na Câmara Federal. Hoje, a federação tem apenas dois deputados em uma bancada de oito: Fernando Mineiro e Natália Bonavides, ambos do PT. Ambos serão candidatos à reeleição.
“O objetivo de Odon, e creio que seja o objetivo dos outros pré-candidatos, é que a gente amplie a bancada progressista na Câmara Federal. Hoje eu vejo que a gente tem muita chance, uma chance muito consolidada, pelas pesquisas que a gente vem vendo, de eleger três deputados”, declarou.
Odon também vinculou a disputa proporcional ao projeto nacional do PT. Segundo ele, o eleitorado potiguar que votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser chamado a fortalecer a bancada que dará sustentação ao presidente na Câmara.
“A maioria do povo do Rio Grande do Norte nas últimas eleições votou em Lula presidente. Então, a gente está fazendo um debate da importância de olhar para o presidente que ele elegeu e fortalecer a bancada que vai fazer a defesa desse projeto lá na Câmara Federal”, afirmou.
No caso específico de sua pré-candidatura, Odon argumenta que representa uma lacuna regional. Ele defende que o interior do Rio Grande do Norte está sub-representado na Câmara Federal e cita o Seridó como uma das regiões sem deputado federal próprio.
“Há um vácuo realmente no interior de gente legítima, que mora lá, que construa sua história, sua vida”, disse. “O Seridó, o Alto Oeste, o Médio Oeste, Mossoró, o Trairi e o Potengi não têm uma representação federal”, enfatizou Odon.
Segundo ele, sua candidatura parte da experiência acumulada em Currais Novos, onde foi vereador por dois mandatos e prefeito por outros dois. Odon também destacou a dobradinha com a candidatura à reeleição do deputado estadual Francisco do PT, líder do governo na Assembleia Legislativa.
“A gente é da mesma região e tem um entendimento de que, se um fosse para estadual, o outro ia construir a pré-candidatura de federal”, afirmou.
Odon disse ainda que ambos integram a corrente Avante, grupo interno do PT que, segundo ele, tem presença em todas as regiões do Estado e elegeu Samanda Alves presidente estadual do partido.
Possível aliança com o PSDB
Odon Júnior também comentou a indefinição envolvendo o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, e a possibilidade de manutenção da aliança entre o PSDB e o grupo governista. Segundo ele, “quem fala por Ezequiel é Ezequiel”, mas o histórico do deputado mostra decisões tomadas apenas na reta final.
O petista afirmou que a eventual permanência de Ezequiel no campo governista seria importante para fortalecer a pré-candidatura de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado. Ao mesmo tempo, avaliou que a demora faz parte do estilo político do presidente da Assembleia.
“Eu faço política diferente, tomo decisões mais antecipadas. Ele vem, no histórico dele, tomando essas decisões de última hora. Vejo a política cada vez mais antecipada. O meu timing é diferente”, disse.
Sobre Currais Novos, Odon afirmou que uma eventual ruptura estadual entre PT e PSDB não necessariamente afetaria a aliança municipal. Ele lembrou que o acordo local foi firmado com clareza sobre a liberdade de cada partido nas disputas estaduais. No município, o prefeito Lucas Galvão é do PT, enquanto a vice Milena Galvão é do PSDB — ela é irmã de Ezequiel Ferreira.
“Lá a gente tem uma aliança consolidada no plano local, que tem caminhado normalmente”, afirmou. “Quando a gente fechou a chapa Lucas e Milena, deixou muito claro: nós vamos ter aqui os nossos apoios, os nossos candidatos, vocês caminharão com o seu partido, com as definições do seu partido, mas aqui a gente vai caminhar normalmente, com harmonia.”
AGORA RN
Essa publicação é um oferecimento

