“Tentaram me calar na violência; agora querem na canetada”, diz Cabo Deyvison
09/08/2026

Deyvison acusa MDB de perseguição e diz que recorrerá para permanecer na Câmara de Mossoró | Foto: Divulgação
O vereador de Mossoró e candidato a deputado federal Cabo Deyvison afirma estar sendo vítima de perseguição política após o MDB ingressar na Justiça para questionar sua permanência no cargo depois da saída da legenda e posterior filiação ao PL. Para o parlamentar, a tentativa de retirada do mandato representa uma tentativa de silenciamento contra quem decidiu não abrir mão de seus princípios e utiliza o mandato para fiscalizar o poder público, denunciar irregularidades e defender a população mais vulnerável.
Cabo Deyvison sustenta que tentou deixar o MDB de forma consensual, mas não recebeu a carta de anuência solicitada. Segundo ele, a mudança de partido ocorreu em um contexto de ruptura política com o grupo liderado pelo presidente estadual do MDB, o vice-governador Walter Alves, que passou a apoiar politicamente o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União).
Deyvison sempre fez oposição ao então gestor mossoroense e era considerado um dos principais críticos da administração do atual candidato a governador.
“Fui eleito pelo MDB, mas Walter Alves preferiu fechar aliança com Allyson Bezerra, grupo político que eu sempre enfrentei e fiscalizei em Mossoró. Pedi saída amigável, pedi a carta de anuência, e não aceitaram. O partido foi à Justiça tentar tomar um mandato que é do povo”, afirma Cabo Deyvison.
O vereador também relaciona a disputa judicial ao histórico recente de enfrentamento à criminalidade e às dificuldades que afirma ter enfrentado por sua atuação política. Deyvison lembra que, após sofrer um atentado e ainda hospitalizado, recebeu a notícia de que havia sido apresentada a ação que busca atingir seu mandato.
“Logo após sofrer o atentado, ainda no hospital, enfrentando a dor de perder um amigo, recebi o processo que busca tirar nosso mandato. Tentaram nos calar na violência, não conseguiram, e agora querem nos tirar na canetada”, relembou o vereador, fazendo referência a morte de Alysson Diego, profissional da comunicação que foi assassinado durante um atentado contra Deyvison recentemente.
Para Cabo Deyvison, a discussão ultrapassa os interesses de uma legenda partidária e envolve o direito da população de Mossoró de ter um representante independente na Câmara Municipal.“Esse mandato não pertence a Walter Alves, nem a Allyson Bezerra, nem a nenhum acordo de gabinete. Pertence ao povo de Mossoró. Quem perde com essa cassação é o povo que acreditou que teria alguém para fiscalizar e cobrar o sistema”, afirmou.
O parlamentar diz que respeita a Justiça e que vai utilizar todos os instrumentos legais disponíveis para defender sua permanência no cargo. Ele também rejeita qualquer possibilidade de recuo na sua atuação.
“Isso tem nome: perseguição política. Respeito a Justiça e vou apresentar todos os recursos garantidos por lei. Não vou recuar, não vou abandonar meus princípios e não vou me calar”, declarou.
Cabo Deyvison afirma ainda que a tentativa de cassação ocorre justamente contra um mandato que, segundo ele, nasceu nas urnas e tem como uma de suas principais bandeiras o enfrentamento às facções criminosas e a defesa das pessoas que mais precisam da presença do poder público.
“Qual é o preço de enfrentar o sistema? Levar tiros, perder um amigo ou correr o risco de perder o mandato? A quem interessa calar o Cabo Deyvison?”, questiona.
Pré-candidato a deputado federal pelo PL, o vereador reafirma que pretende continuar exercendo o mandato enquanto busca na Justiça o reconhecimento de seu direito de permanecer no cargo. “Mandato não se conquista no tapetão. Mandato se conquista nas urnas”, conclui.
Ação para tirar mandato segue no Tribunal
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) negou um pedido do vereador Cabo Deyvison para validar sua saída do MDB. Sem o reconhecimento da justa causa para desfiliação, ele pode perder o mandato na Câmara Municipal de Mossoró.
Na última decisão, a desembargadora Lourdes Azevêdo negou mais um recurso apresentado pela defesa de Deyvison, que desta vez buscava levar o tema ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O parlamentar justifica a sua saída do partido justamente a mudança de posicionamento político do MDB no RN. Membro da oposição ao grupo de Allyson em Mossoró, Deyvison sustenta que não poderia permanecer em uma legenda que não apenas passou a apoiar o ex-prefeito na disputa pelo Governo do Estado como também indicou o candidato a vice-governador da chapa, o deputado estadual Hermano Morais.
Deyvison foi eleito vereador de Mossoró pelo MDB em 2024, com 1.766 votos, mas deixou a sigla sem autorização, em abril deste ano, para ingressar no PL.
Tribuna do Norte
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