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Produtora de filme sobre Bolsonaro oculta dados de R$ 54 milhões gastos nos EUA

12/09/2026

Divulgação / Dark Horse

 

A produtora americana responsável pelo filme “Dark Horse”, obra que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, recusou-se a entregar às autoridades brasileiras os documentos contábeis e bancários da empresa, mantendo em absoluto sigilo 72% dos custos de produção do longa.

A negativa veio à tona com a queda do sigilo de documentos determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira. No material disponibilizado pela defesa de Karina Ferreira da Gama, consta um e-mail datado de 2 de setembro enviado por Michael Davis, que se identifica como sócio da Go Up Entertainment LLC (braço americano da produtora). Na mensagem, Davis informa categoricamente que não autoriza o repasse de documentos da empresa à Polícia Federal.

Para justificar a retenção das informações, o executivo americano exige o cumprimento de carta rogatória, um pedido formal de assistência jurídica internacional, e condiciona qualquer entrega de dados a uma ordem direta de um juiz dos Estados Unidos.

O racha nos números: R$ 54 milhões nos EUA

De acordo com um laudo contratado pela própria defesa, a produção de “Dark Horse” custou um total de R$ 75,2 milhões. Desse montante, a expressiva quantia de R$ 54,3 milhões foi gasta em território norte-americano (equivalente a 72% do orçamento), enquanto os R$ 20,9 milhões restantes foram aplicados no Brasil.

A defesa anexou à investigação doze volumes de notas fiscais, contratos e comprovantes que somam mais de 21 mil páginas, porém todos restritos aos gastos realizados no cenário nacional. Os R$ 54,3 milhões aplicados nos EUA aparecem detalhados apenas em uma tabela apresentada pela Go Up, divididos da seguinte forma:

Desenvolvimento do projeto: R$ 2,2 milhões;

Soft-production e pré-produção: R$ 15,1 milhões e R$ 14,9 milhões;

Filmagem nos EUA: R$ 11,1 milhões;

Pós-produção: R$ 11 milhões.

Um dado que chama atenção no relatório é que apenas um quinto do capital direcionado aos Estados Unidos foi utilizado efetivamente nas filmagens. As etapas anteriores de desenvolvimento e pré-produção somam R$ 32,2 milhões, superando o custo combinado das filmagens nos dois países, que ficou em R$ 32 milhões. Embora o laudo afirme ter tido acesso a extratos e pormenores bancários americanos, esses registros não foram anexados aos autos.

 

Com informações do UOL.

 

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