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Há dores que não são “normais”: O que o cérebro tenta nos dizer

09/10/2026

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Luiz da Costa Nepomuceno Filho - Coordenador do Diagnóstico Precoce - CRBM2: 11928 | CRF/RN: 6776

Há dores que passam com um abraço, um remédio simples ou um boa noite de sono. Mas existem outras que insistem, que voltam, que mudam o comportamento da criança e silenciosamente pedem atenção. São essas dores que não são “normais”. E, muitas vezes, é o cérebro tentando nos dizer que algo não vai bem (CASA DURVAL PAIVA, 2018).

No câncer infantojuvenil, especialmente nos Tumores do Sistema Nervoso Central, a dor pode ser um dos primeiros sinais de alerta. Diferente da dor comum do dia a dia, ela costuma aparecer com frequência, ser mais intensa pela manhã e, em alguns casos, vir acompanhada de vômitos, sonolência excessiva, alterações no equilíbrio, na visão ou no comportamento. A criança que antes corria e brincava passa a querer ficar deitada. O adolescente ativo começa a faltar à escola, reclama de dor de cabeça constante e não encontra alívio mesmo com analgésicos simples (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER,2023).

Com base no conhecimento científico, isso acontece porque tumores no cérebro podem aumentar a pressão dentro do crânio ou interferir em áreas responsáveis pelo controle da dor, do movimento, da fala e das emoções (SOARES; GOMES; KUYVEN, 2025). O cérebro, então, envia sinais de sofrimento. A dor deixa de ser apenas um sintoma isolado e passa a ser um pedido de socorro do próprio organismo (COSTA, 2020).

O grande desafio é que, na infância, a dor nem sempre é descrita com clareza. Muitas crianças não sabem explicar o que sentem. Elas demonstram no choro diferente, na irritabilidade, no isolamento ou até na regressão de comportamentos já superados (SOARES; GOMES; KUYVEN, 2025). Por isso, observar é tão importante quanto ouvir. Pais, cuidadores, professores e profissionais de saúde têm um papel essencial em perceber quando algo foge do esperado (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER,2023).

É importante reforçar: sentir dor não significa, automaticamente, câncer. A maioria das dores de cabeça e desconfortos na infância tem causas benignas. Mas quando a dor é persistente, progressiva, acorda a criança à noite, vem acompanhada de outros sinais neurológicos ou interfere na rotina, ela precisa ser investigada (MAGALHÃES, et al., 2023). O diagnóstico precoce salva vidas e reduz sequelas (CASA DURVAL PAIVA, 2018).

Falar sobre essas dores é um ato de cuidado, é essa rotina que as capacitações da Casa Durval Paiva querem reforçar. É importante romper com a ideia de que “é só uma fase” ou que “vai passar sozinho”. No contexto do câncer infantojuvenil, escutar o que o corpo da criança tenta dizer pode ser a diferença entre um diagnóstico tardio e uma chance real de cura (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER,2023).

Há dores que não são normais, porque não deveriam ser ignoradas. Quando o cérebro fala através da dor, ele pede atenção, acolhimento e ação. Ouvir esses sinais é um gesto de amor, responsabilidade e esperança.

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