Política

Com foco nos indecisos, Lula aposta no fim da escala 6×1 para virar o jogo na reta final

14/10/2026

Foto: Ricardo Stuckert

 

Em uma jogada decisiva para a reta final da corrida presidencial, o Senado Federal vota nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da jornada de trabalho na escala 6×1. Apadrinhada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a matéria é vista pelo Palácio do Planalto como a principal cartada para atrair o eleitorado indeciso e buscar uma virada na votação marcada para 25 de outubro.

A estratégia da campanha governista vai além de conquistar votos: busca também emparedar a oposição. A pauta, de apelo popular imediato, acabou forçando uma mudança tática do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que até então criticava abertamente a proposta e defendia um texto alternativo focado em acordos diretos entre patrões e empregados.

Diante da repercussão do tema e das manifestações populares recentes, Flávio recuou nesta terça-feira e confirmou que votará a favor da proposta governista. O senador, que antes chamava a medida de “eleitoreira” e “oportunista”, justificou a mudança como um alinhamento ao desejo dos trabalhadores: “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, declarou o parlamentar do PL.

O movimento da oposição foi rapidamente explorado pelo Planalto. Durante agenda no Palácio do Planalto, Lula ironizou a mudança de tom do adversário e atribuiu o recuo à pressão popular acumulada nas ruas: “Me parece que, depois da pressão da sociedade e de todas as manifestações nas ruas deste Brasil, o PL decidiu votar o fim da escala 6×1. Se todo mal que eu causar a este país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, afirmou o presidente.

Nas redes sociais, a reação da militância governista foi imediata. Apoiadores resgataram declarações anteriores do senador contra a mudança na jornada de trabalho, levando termos como “Flávio fez o L” e “Lula virou voto do Flávio” ao topo dos assuntos mais comentados no X (antigo Twitter).

A votação no Senado promete ser o grande divisor de águas da semana no cenário político, testando a força do governo na tramitação e o impacto da pauta trabalhista no bolso, e no voto do eleitor brasileiro.

 

Com informações do Metrópoles

 

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