BOMBA do transporte coletivo está prestes a explodir em Natal
06/06/2014
Cassiano Arruda acerta mais uma vez na sua coluna hoje, a BOMBA do transporte coletivo está mais do nunca prestes a explodir, para agravar, em véspera de Copa do Mundo:
A “bomba relógio” do dissídio coletivo dos motoristas e cobradores de ônibus de Natal continua o seu tic-tac. Os primeiros contatos entre as partes foram iniciadas no começo de abril, mas existe uma enorme distância entre a reivindicação dos trabalhadores e a resposta dos empresários: reajuste zero.
Para justificar essa atitude irredutível, os empresários lembram que estão operando no vermelho, depois de terem assimilado três reajustes salariais sem que houvesse qualquer repasse para o preço das passagens.
Trata-se de uma questão delicada que ganha conotação de maior importância pelo momento que estamos vivendo: na próxima semana começa a Copa do Mundo atraindo as atenções de todo o planeta para o Brasil, um ano depois do país ter sido sacudido por uma onde de protestos contra a má qualidade dos serviços públicos. Isso ocorreu justamente depois da concessão de aumentos para a passagem dos coletivos pela Prefeitura de Natal que, depois da onde dos protestos, terminou recuando e determinando a validade da tarifa anterior, acenando com a desoneração de alguns tributos – o que terminou não se concretizando.
Não é novidade para ninguém que a mobilidade, a cada dia, se torna o maior problema desta cidade, mas – mesmo reconhecendo todos os esforços feitos nessa área – não se pode dizer que o problema está sendo enfrentado. Tanto a torcida do América, quanto a do ABC estão cansadas de saber que o sistema de transporte coletivo de Natal vem funcionando de forma precária há mais de vinte anos, com inúmeros remendos que foram se impondo ao longo do tempo. Na última campanha eleitoral, houve um consenso de que havia chegado a hora de se realizar uma concorrência para estabelecer regras claras para se fazer a concessão do serviço.
A atual administração municipal, depois de 18 meses, pouco andou em relação à concorrência, tendo sido levada a tratar de temas periféricos – tipo bilhetagem eletrônica – sem entrar no principal da questão. Esquecer o assunto não contribui em nada para a sua solução. Pelo contrário.
Trata-se de um assunto tão discutido que precisa começar pelo começo. Pela definição do modelo a ser adotado. Será que em vez de uma concessão, a Prefeitura deve operar diretamente o sistema de transportes?
Do jeito que o assunto vem sendo tratado (e não é somente na atual administração municipal) existe uma presunção de que um empresário possa explorar um serviço sem ter perspectiva de lucro. Ou, ainda, que alguma empresa possa oferecer subsídio por um serviço público.
Se for escolhido o caminho da estatização, esse parece um bom momento para se fazer a desapropriação das empresas. Solução que apresenta um ponto negativo: a necessidade da Prefeitura se colocar na linha de frente, num momento de negociação salarial, contaminado por uma tendência nacional de se tornar pretexto para a realização de greves e protestos.
Mas, numa hora em que o Governo Federal fez opção pela concessão (até de Aeroporto), esse caminho não pode significar a ausência completa do problema. Sobretudo, numa conjuntura adversa que interessa muito a quem está apresentando suas reivindicações.
Ocorre que a posição de “reajuste zero” adotada pelos empresários torna mais difícil a busca de um acordo entre os patrões e empregados, passando a exigir a participação do poder concedente, sob pena de ser crtada uma situação que pode sair do controle.

