EDITORIAL: Quando o locutor vira notícia, precisamos repensar

15/07/2014

                             

A mais recente disputa da política ilustra bem porque temos – e mantemos – um status de província, onde se comemora em release fatos que expõem nossa pequenez.

 

Uma zapeada pela blogosfera e lá está a nova batalha: “Ex-locutor de Robinson diz que Henrique será governador”, “Ia ser o locutor de Robinson consciente que o governador será Henrique”, e “Locutor contratado por Robinson vai fazer a campanha de Henrique”. A grandiosidade das notícias é, de fato, algo que deve ser estampado, como uma chancela definitiva de que a vitória depende do que diz o locutor.

 

Nada contra o profissional, que nem conheço, mas sei que trabalha bem. A notícia da adesão logo colocou a rádio corredor para funcionar. Um amigo dele chegou a me dizer agora de manhã que ele é amigo do deputado Nelter Queiroz, e que o mesmo chegou para ele e disse que Henrique “pagaria” o dobro do que ele tinha acertado na campanha de Robinson. Independentemente da veracidade dessa informação, cada uma faz da sua vida o que quiser e sua consciência permitir.

 

Fato é que, quando comemora esse tipo de coisa, é porque sabemos que o debate importante vai sair deixado de lado.  Qual a importância, afinal, de saúde, segurança, desenvolvimento e educação diante da adesão do locutor? Nenhuma, é que deve pensar quem se passa a divulgar essas picuinhas.

 

É por essas e outras que não sou de dentro da casa de nenhum político, não vivo em comes e bebes oferecidos por políticos, não vou à confraternização de políticos, e olhe que gosto de muitos.

 

Não faço nenhuma ligação para político, sou baixo clero. Portanto, quando preciso confirmar informações, procuro as pessoas do baixo clero que me dizem as coisas com elas são e não como os políticos em muitos casos gostam.

 

Confesso que às vezes fico indignado. E o pior: a imprensa tem grande culpa. Essa eleição parece que vai ser campeã nisso, você nota claramente o caminho por onde as coisas estão indo, noticias sendo plantadas, fofocas etc. A quem interessa?

 

Podem achar e até falar o que quiserem de mim, mas não contem comigo para esse tipo de marmota. Quem briga por palanque tão baixo já tem o holofote que merece.