Roger Abdelmassih chega ao presÃdio de Tremembé, SP
20/08/2014

O ex-médico Roger Abdelmassih chegou às 18h40 desta quarta-feira (20) na penitenciária Doutor José Augusto Salgado, a P2 de Tremembé, no interior de São Paulo. É a segunda vez que ele vai para esse presídio, onde chegou a ficar preso por quatro meses em 2009.
Abdelmassih, de 70 anos, estava foragido havia três anos e foi preso na noite de terça-feira (19) em Assunção, capital do Paraguai. Ele foi preso por agentes ligados à Secretaria Nacional Antidrogas do governo paraguaio com apoio da Polícia Federal brasileira.
A P2 de Tremembé abriga 451 presos, mas tem capacidade para 408, segundo informações da Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo. Entre os detentos do local estão Alexandre Nardoni, acusado pela morte da filha Isabela, e Lindemberg Alves, que matou a namorada.
O ex-médico era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil. Após sua condenação e fuga, passou a ser um dos criminosos mais procurados pela Polícia Civil do estado de São Paulo.

Vítima Yvany Serebenic, empresária
(Foto: Reprodução/GloboNews)
Reação
Roger Abdelmassih chegou à P2 após passagem pelo Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul, onde saiu por volta das 16h40 escoltado por policiais. Ao desembarcar em São Paulo, ele foi recebido com gritos de revolta por vítimas de abuso sexual. Uma mulher tentou furar o cerco policial para agredi-lo.
As vítimas e curiosos aguardaram perto da delegacia da Polícia Civil em Congonhas. Um cordão de isolamento foi montado para deixar um corredor livre para a passagem do preso. Algumas subiram em cadeiras para ver a passagem do ex-médico e acompanhar a movimentação policial.
Ele também foi hostilizado na saída, após ter feito exames de corpo de delito. Em Congonhas, o ex-médico também passou pelos trâmites burocráticos que oficializaram sua prisão. Durante a conversa com os policiais, o ex-médico chorou ao ser perguntado pela polícia se tem filhos,
Apoio de políticos
Para conseguir viver no anonimato, ostentando luxo e desfrutando de conforto, o brasileiro contava com apoio de uma rede local de proteção que incluiu políticos, policiais corruptos e até dirigentes internacionais de futebol, segundo o ministro antidrogas do Paraguai, Luis Alberto Rojas.
Apesar de ter feito o apontamento, a autoridade local não quis revelar nomes para não atrapalhar as investigações, que agora deverão ser comandadas pelo Ministério Público do Paraguai e pelo órgão responsável pela imigração do país. Ele tinha babás, chofer, seguranças, frequentava restaurantes caros e exclusivos com a mulher e usava o nome Ricardo. Rojas também afirmou que Abdelmassih morava em uma casa luxuosa em um bairro nobre da capital paraguaia, pela qual pagava um aluguel de US$ 2,5 mil.
G1
