Gremista pede desculpas e quer encontro com Aranha; goleiro rejeita
05/09/2014
“Quero muito pedir desculpas para o goleiro Aranha. Perdão de coração porque não sou racista. Aquela palavra macaco não foi racismo.” Dita aos prantos, a frase é da auxiliar de odontologia Patrícia Moreira, 23, torcedora do Grêmio identificada como autora de xingamentos contra o goleiro Aranha.
“Foi no calor do jogo, o Grêmio estava perdendo, o Grêmio é minha paixão. Minha paixão mesmo. Eu vivia para ir ao jogo do Grêmio. Eu largava tudo”, disse a torcedora, que nesta sexta-feira (5) fez um rápido pronunciamento à imprensa em Porto Alegre – durou um minuto.
“Peço desculpas para o Grêmio, para a nação tricolor. Não queria nunca prejudicar o Grêmio. Eu amo o Grêmio. [Peço] Desculpas para o Aranha. Perdão, perdão, perdão mesmo”, afirmou Patrícia, que não respondeu a perguntas dos jornalistas.
Na quinta-feira (4), a auxiliar de odontologia prestou depoimento na Polícia Civil e já havia negado a intenção de ofender o goleiro.
No pronunciamento, feito num hotel da capital gaúcha, o advogado de Patrícia, Alexandre Rossato, falou após as declarações da cliente que “macaco”, usado dentro de um jogo de futebol, não se configura em racismo. “O termo é só mais um termo utilizado dentro do futebol”, disse.
Segundo Rossato, a intenção da torcedora é pedir perdão ao jogador do Santos. “Ela deseja muito esse encontro. O que ela mais quer, pessoalmente, é pedir desculpas pro Aranha. Estou à disposição do goleiro Aranha.”
O defensor contou que a jovem saiu das redes sociais e deixou a casa onde vivia, na zona norte de Porto Alegre. “Ela perdeu a vida.”
“A Patrícia já foi julgada socialmente. Independentemente de inquérito policial ou não (…) O racismo infelizmente é um problema social e não podemos jogar esse problema social tão somente em cima dessa menina”, disse Rossato.
O CASO
A repercussão sobre o caso de racismo contra Aranha começou após a divulgação de imagens cedidas pela ESPN Brasil, que transmitia a partida entre Grêmio e Santos.
No vídeo, Patrícia aparece chamando o jogador de “macaco” durante o jogo. Ela foi afastada de seu trabalho de auxiliar de saúde bucal, na Brigada Militar, na sexta-feira (29).
À polícia, Aranha relatou ao menos quatro pessoas envolvidas nos xingamentos. Com base em seu depoimento, o Ministério Público abrirá um processo por injúria racial contra os participantes.
Na quarta-feira (3), o Grêmio foi excluído da Copa do Brasil por causa dos xingamentos no estádio na partida contra o Santos.
ARANHA RESPONDE
O goleiro Aranha, do Santos, não quer se encontrar com a torcedora do Grêmio Patrícia Moreira, acusada de ofensas racistas contra o jogador em partida disputada na semana passada, em Porto Alegre, pela Copa do Brasil.
Por meio da assessoria de imprensa do Santos e amigos, o goleiro disse que não vê motivo para fazer o encontro e que isso até poderia minimizar a repercussão e a gravidade do caso.
Aranha também afirmou que seu foco está no Santos e que espera que os torcedores identificados pelos insultos sejam julgados e punidos.
Patrícia fez um rápido pronunciamento nesta sexta-feira (5) à imprensa em Porto Alegre –durou um minuto. A torcedora, identificada como autora de xingamentos contra o atleta, pediu desculpas e, por meio de seu advogado, revelou a vontade de ter um encontro com Aranha.
Segundo o advogado de Patrícia, Alexandre Rossato, a intenção da torcedora é pedir perdão ao jogador do Santos.
“Ela deseja muito esse encontro. O que ela mais quer, pessoalmente, é pedir desculpas para o Aranha. Estou à disposição do goleiro Aranha”, afirmou.
No pronunciamento, feito num hotel da capital gaúcha, Rossato disse ainda que “macaco”, usado dentro de um jogo de futebol, não se configura em racismo. “O termo é só mais um termo utilizado dentro do futebol”.
Folha Press
