GLOBO: Bate-bocas generalizados e acusações marcam o último debate da campanha

03/10/2014

                                  

    Por Congresso em Foco

No último debate entre presidenciáveis antes do primeiro turno das eleições, promovido nesta quinta-feira (2) pela TV Globo, acusações, bravatas e desmentidos de lado a lado levaram a diversos bate-bocas envolvendo praticamente todos os candidatos na disputa pelo voto do eleitor. Corrupção e homofobia, dois dos temas que mais incendiaram os sete convidados, dividiram espaço com questões como drogas e aborto entre os momentos mais quentes da jornada de pouco mais de duas horas.

Em um dos episódios de fogo cruzado, um embate iniciado há duas semanas no encontro promovido pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil na TV Aparecida (leia e veja em vídeo), chegou a cume no final da noite. Foi quando os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Luciana Genro (Psol) estiveram frente à frente, no formato concebido pela TV Globo, e o tucano se defendeu das acusações de que é “fanático da corrupção”.

Luciana, ciente de que falava para uma audiência maior do que a registrada no embate anterior, voltou à carga sobre o que ela considera “o sujo falando do mal lavado” – ou seja, Aécio e Dilma trocando acusações de corrupção, segundo a candidata. Ela falou sobre “privataria tucana” e “mensalão mineiro” como exemplos da corrupção do PSDB. Aécio respondeu dizendo que ela estava “sem a menor conexão com a realidade”, e que seu grupo combate o PT por ter “visão diferente de governo”.

“Você, que anda de jatinho e ganha um grande salário, não sabe a realidade do povo. Tu és tão fanático das privatizações e da corrupção que chegou ao ponto de fazer um aeroporto com dinheiro público, e entregou as chaves para o seu tio”, fustigou Luciana, ex-deputada expulsa do PT.

Com o dedo em riste, Aécio subiu o tom da voz e bradou: “Não seja leviana! Você não pode falar sobre o que não sabe. No meu governo, todas as obras públicas foram aprovadas. Acusações levianas não refletem o nível deste debate. Você não está preparada para ser presidente da República”, respondeu Aécio. “Não levante o dedo pra mim”, retrucou a candidata.

Além de Aécio e Luciana, o programa reuniu Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB), segundo o critério legal que obriga a participação nos debates de todos os presidenciáveis cujos partidos têm representação na Câmara. Com quatro blocos de discussão, em que o último foi reservado às considerações finais, o debate foi mediado pelo jornalista Willian Bonner. Os candidatos se revezaram em sistema de perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. Houve sorteio e livre escolha de interlocutores e temas. Diferentemente dos outros três debates, não houve perguntas por parte de profissionais da imprensa.

Acusação de homofobia

Outro momento tenso do debate foi quando Eduardo Jorge fez uma reprimenda ao candidato Levy Fidelix, constrangendo-o a pedir desculpas aos homossexuais e à comunidade LGBT. No debate anterior, promovido pela TV Record, Levy fez discurso classificado como homofóbico. Na última quarta-feira (1º), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu investigação preliminar para apurar o conteúdo da fala