Cometa passará ‘raspando’ por Marte amanhã

18/10/2014

Os céus vão hospedar um evento neste fim de semana que ocorre uma vez a cada um milhão de anos ou mais.

Um cometa tão robusto quanto uma pequena montanha vai passar assustadoramente perto de Marte no domingo (19), aproximando-se a até 140.006 km.

Cinco exploradores robóticos da NASA em Marte – três sondas orbitais e dois rovers – estão sendo redirecionados para testemunhar a passagem do cometa Siding Spring em sua primeira visita ao interior do sistema solar. Também circulam o planeta vermelho uma nave espacial europeia e outra indiana.

A nave em órbita tentará observar a bola de gelo se aproximando e então irá se esconder atrás de Marte para se proteger de potencialmente perigosos detritos empoeirados da cauda do cometa.

Blindado pela atmosfera marciana, os rovers podem muito bem ter os melhores lugares da casa, apesar de que uma tempestade de poeira em Marte poderia obscurecer a visão da máquina.

“Nós certamente estamos de dedos cruzados pelas primeiras imagens de um cometa a partir da superfície de outro mundo”, disse o cientista do programa da NASA Kelly Fast.

Em uma distância maior, o telescópio espacial Hubble já vigia a área por onde o fenômeno deve passar, assim como os observatórios terrestres.

“Estamos nos preparando para um conjunto espetacular de observações”, disse Jim Green, diretor da divisão de ciência planetária da NASA.

Nomeado pelo observatório australiano usado para detectá-lo em janeiro de 2013, Siding Spring vai se aproximar de Marte por baixo na tarde de domingo, horário da costa leste do globo.

Na Terra, a melhor visualização será a do Hemisfério Sul através de binóculos e telescópios – África do Sul e Austrália estarão em posição privilegiada. No Hemisfério Norte será difícil ver Siding Spring.

O cometa – com um núcleo estimado em pelo menos 0,8 km de diâmetro – vem da Nuvem de Oort à margem extrema do sistema solar. Foi formado durante o primeiro ou segundo milhão de anos do sistema solar, de 4,6 bilhões de anos, e, até agora, não se aventurou mais perto do Sol do que, talvez, até as órbitas de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. O fenômeno acontece a cada um ou mais milhões de anos. Será o primeiro cometa da Nuvem de Oort a ser estudado de perto e em detalhes.

IG