E agora José Agripino?
27/10/2014

Antes da recém-terminada campanha eleitoral começar, o senador José Agripino Maia contava com o apoio de três deputados estaduais na Assembleia Legislativa – Getúlio Rego, Leonardo Nogueira e José Adécio. Tinha também o apoio de um deputado federal, o seu próprio filho, Felipe Maia. O grupo político do qual o senador e presidente nacional e estadual do Democratas se apresenta como líder tinha também a governadora do Estado, Rosalba Ciarlini.
O que fez José Agripino?
Rifou a governadora que ajudou a eleger em 2010 e a impediu de ser candidata à reeleição ao lhe negar a legenda. “Matou” a Rosa viva. Tudo para se compor com o PMDB do deputado Henrique Alves e garantir uma coligação proporcional que assegurasse a renovação do mandato do filho Felipe Maia.
Escolhido coordenador da campanha do senador Aécio Neves a presidente da República, José Agripino também tratou de rifar o tucano. Quando este foi ultrapassado nas pesquisas pela ex-senadora Marina Silva, ainda no primeiro turno, Agripino se apressou em dizer que o tucano deveria pensar em apoiar Marina em um eventual segundo turno. Aécio deu a volta por cima, chegou ao segundo turno e por muito pouco não ganhou as eleições. Como o apoio de Marina.
As urnas do segundo turno também reservaram outras decepções para aquele que se autointitula o grande líder democrata. Seu candidato ao governo perdeu feio na maioria das maiores cidades do estado e foi derrotado de forma humilhante em Mossoró, reduto agripinista nos tempos em que Rosalba e seu grupo lhe devotavam lealdade quase canina.
Agripino viu também o filho Felipe Maia se reeleger com bem menos votos do que há quatro anos e o DEM perdeu uma cadeira na Assembleia Legislativa. Com um detalhe importante: José Adécio apoiou indiretamente no segundo turno a candidatura de Robinson Faria, cujo PSD Agripino tentou minar desde o nascedouro.
O futuro do DEM também é incerto. O prefeito de Salvador, ACM Neto, admitiu recentemente que o partido terá de se fundir com outras legendas para sobreviver. Palavras de uma espécie de um dos últimos dos moicanos.
Sem governadora, sem Mossoró, onde o desempenho de Robinson é creditado à uma forte onda anti-agripinista, o senador e dirigente democrata vê, diminuir, a cada dia, as chances de renovar o mandato em 2018.
Somados todos os resultados e tirada a prova dos noves, José Agripino é líder contestado de um grupamento político em franca decadência. E sai das urnas de 2014 como um dos grandes derrotados.
Resta-lhe como espólio o comando do DEM, originado do PFL que um dia já foi PDS e chegou a ser chamado, no final da ditadura militar, a quem serviu com louvor e afinco, de “o maior partido do Ocidente”
Mas é um líder contestado, acostumado a rifar os companheiros nos momentos difíceis. Estão aí, para não me deixar mentir, a governadora Rosalba Ciarlini.
Para completar a sua atuação desastrosa, quando as urnas deram seu recado, Agripino disse, ao analisar o desempenho eleitoral de Aécio Neves, que o o Brasil que produz votou no tucano. Colocou, assim, no rol dos improdutivos estados como o Rio Grande do Norte, e Mossoró, sua cidade natal, que se acostumaram a lhe dar seguidos mandatos de senador, desde 1986.
O que falta fazer o grande líder democrata?
E agora José?
