Em entrevista, o futuro e as mágoas de Henrique Alves
01/11/2014
Em entrevista à Veja Online, o deputado federal Henrique Alves descartou que pretende ser ministro no próximo governo da presidente Dilma Rousseff, assegurou que pretende se dedicar às atividades de proprietário de grupo de comunicação e também à família, depois de 44 anos dedicados à atividade política.
Peça importante na engrenagem de poder que o PMDB exerce há anos, independente de quem seja o governante – Henrique vai ficar sem mandato pela primeira vez desde que começou sua carreira política.
Nos dois meses que restam de seu décimo-primeiro mandato de deputado federal e do mandato de presidente da Câmara dos Deputados, Henrique terá condições de colocar à prova a disposição da presidente Dilma de dialogar e negociar as reformas que pretende fazer no seu segundo governo.
Henrique tem se esforçado para disfarçar os efeitos da derrota para governador e da mágoa de ver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravando depoimento de apoio a Robinson Faria. Chegou a dizer, na entrevista a Reinaldo Azevedo, da revista Veja, que Lula mal conhece o governador eleito e é capaz de não reconhecê-lo num próximo encontro.
Exageros de quem imagina que Lula não sabia exatamente o que fazia quando decidiu pedir voto para Robinson, que topou se aliar com Fátima Bezerra do PT e se lançar numa missão em cujo sucesso praticamente ninguém acreditava.
Henrique pagou o preço de ter subestimado a força do PT e, principalmente, de Lula e Dilma. A votação da presidente, que venceu em todos os municípios do Rio Grande do Norte, no primeiro e no segundo turno, não deixa margem para dúvidas.
O presidente da Câmara dos Deputados teve a chance de se compor com Fátima Bezerra e fazê-la candidato ao Senado. Teve a chance de se compor com Robinson Faria. Preferiu montar uma ampla coligação de 17 partidos, tirar Wilma de Faria do seu caminho para fazê-la candidata ao Senado e se aliou ao senador José Agripino Maia, um inimigo mortal do PT, de Lula e Dilma. Pagou pra ver. E colheu uma derrota que jamais esperava.
Coisas da política.
