FOTO: Morreria pela Ucrânia, diz ativista após deixar Brasil para lutar com pró-russos

09/11/2014

                                   

Os primeiros raios de sol cortam o céu da Ucrânia quando os grupos rebeldes no leste do país iniciam sua rotina de guerra.

Para eles, o dia começa antes das 5h (horário local), com café da manhã, e só termina no início da noite após uma rotina exaustiva.

Em áreas ocupadas pelos grupos pró-russos em cidades próximas a Donetsk – conhecida por ser o reduto dos separatistas – o dia é repleto de treinamentos e adrenalina, combinação que atraiu o brasileiro Rafael Lusvarghi, 29, a se juntar aos militantes ucranianos.

“É uma grande honra para mim poder servir a um povo e terra que amo em uma causa justa. A vida aqui pra mim como militar é muito difícil, mas gratificante. Um tipo de sacrifício que nem chamo de sacrifício, pois faço com alegria”, explicou ele durante conversa.

Em conversa por meio de uma rede social, o ex-policial militar explicou que viveu na Rússia quando era mais jovem e até tentou se alistar nas forças armadas do país para conseguir cidadania. Mas a aproximação com os ideais do povo liderado por Vladimir Putin só aconteceu no dia 20 de setembro, quando ele desembarcou na Ucrânia após sair da prisão em São Paulo.

O militante foi detido no dia 12 de junho enquanto participava das manifestações contra a realização da Copa do Mundo em São Paulo. Ele ficou 45 dias preso sob acusação de atos violentos.

“Esse processo ainda está acontecendo, mas não pretendo voltar ao Brasil. Não estarei presente em fevereiro [em uma audiência] e estou ciente que posso ser procurado pela polícia por causa disso”, explicou.

“Sem falar que o risco de morte aqui é muito alto. Além disso, se continuar vivo, pretendo ajudar a reconstruir a Ucrânia”, acrescentou.

Questionado sobre como é ser considerado um separatista, o brasileiro disse que tem orgulho de suas ações e ainda corrigiu a reportagem, afirmando que “separatista” é o governo de Petro Poroshenko.

“Não gosto do termo porque ‘separatistas’ são, na verdade, os membros do governo que tomaram Kiev e quiseram romper com a Comunidade de Estados Independentes. O cessar fogo nem existe na pratica”, acusou ele.

Em conversa com o The Guardian em setembro, moradores de Komsomolske descreveram o estado dos soldados que voltam das batalhas como “Ensanguentados, sujos e com um forte odor”. Na prática, porém, esses grupos são considerados sortudos. Segundo a ONU, os confrontos já deixaram mais de 3,7 mil mortos e forçou mais de 824 mil ucranianos a fugirem das suas casas, segundo dados do Acnur, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

IG