Novo rebaixamento do Botafogo para a Série B foi tragédia anunciada

01/12/2014

botafogo santos

A nova queda do Botafogo para a Série B do Campeonato Brasileiro, a segunda do clube no século XXI, – a primeira em 2002 – pode até ser considerada como uma tragédia anunciada em General Severiano. A péssima administração da cúpula comandada por Maurício Assumpção e o planejamento adotado para a atual temporada foram cruciais para o descenso da equipe. A aposta em um técnico sem experiência, problemas salarias, ameaças de greve, montagens e desmontagens do elenco foram algumas variáveis para acelerar o declínio do Alvinegro em 2014.

A conquista da vaga para a Taça Libertadores, em 2013, após 18 anos longe da competição sul-americana, trazia um prenúncio de que 2014 poderia ser ano de glória. Entretanto, ainda no ano passado, o clube traçou os planos para esta temporada baseado em conquistas audaciosas como chegar às fases finais da Copa do Brasil e da Libertadores.

Por reflexo dos problemas extracampo, o time teve a pior campanha da história no Estadual, eliminado precocemente. Além disso, o desempenho na Libertadores também foi o pior das quatro participações que o clube carioca esteve presente.

Campanha em 2014

Neste Campeonato Brasileiro, o Botafogo perdeu 22 jogos, com apenas nove vitórias e seis empates. Em 64 jogos disputados no ano, o Botafogo soma 35 derrotas, 12 empates, com apenas 17 vitórias conquistadas.

Salários atrasados

Durante toda a temporada, jogadores e funcionarios do clube conviveram com problemas de salários atrasados, agravando cada vez mais o trabalho interno e o rendimento em campo. Atualmente, alguns jogadores estão com dois vencimentos atrasados na carteira de trabalho (CLT), além de sete meses de direitos de imagem. O diretor-técnico Wilson Gottardo sempre tentava amenizar a situação com reuniões como grupo.

Saída do Ato Trabalhista

O Ato Trabalhista é um acordo feito entre um determinado clube e a Justiça do Trabalho. O acerto organizava a fila de credores do Botafogo, que pagava um determinado valor para repassar àqueles que tinham algo a receber do Alvinegro, evitando que o clube ficasse sujeito a penhoras.

Porém, o presidente Mauricio Assumpção não renovou o acordo para 2014, alegando que não era bom continuar nos termos em que estava assinado e tentava negociar um novo acordo, algo rejeitado pela Justiça.

Assim, o clube teve todas as receitas penhoradas e passou sufoco durante todo o ano, sem conseguir cumprir seus compromissos.

Crises internas

Sem dinheiro, os problemas internos começaram a se acumular. Um dos principais deles – e que azedou de vez a relação entre o presidente e os líderes do elenco – foi o cancelamento de um amistoso com o Botafogo-PB, um dia antes do programado. Em protesto pelos constantes atrasos, os jogadores resolveram não viajar.

Outro problema, em março, foi o protesto dos jogadores nos treinos, na semana da decisiva partida contra a Unión Española. Na ocasião, eles ficavam sentados nos gramados por aproximadamente dez minutos, antes de iniciarem os trabalhos.