Brasil tem 40 partos prematuros por hora, o dobro da Europa

06/12/2014

Quando, aos 15 anos, a assistente administrativo Priscila Cecco Caserta descobriu que estava grávida, ela não imaginava que a gravidez na adolescência não seria o único obstáculo que teria de superar. Com muito enjoo no início e contrações a partir do quarto mês, a gestação não chegou até as 40 semanas, tempo estimado para o desenvolvimento do feto. A menina, batizada Lorrany, nasceu sete semanas adiantada.

Mãe e filha fazem parte de uma estatística que afeta um em cada dez bebês nascidos (cerca de três milhões) no mundo: a prematuridade. Segundo dados do Ministério da Saúde, 12,4% (344 mil) dos pouco mais de 2,9 milhões de nascimentos no Brasil são prematuros. Ou seja, nascem 931 prematuros por dia, o equivalente a 40 por hora. O índice brasileiro é o dobro de países europeus.

A gravidez na adolescência é apontada como um dos fatores de risco para a prematuridade do nascimento, segundo Renato Passini, obstetra do Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti, vinculado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que coordena uma pesquisa que pretende mapear os 100 fatores de risco para prematuridade.

“Estamos tentando identificar os fatores isoladamente. Mas já sabemos que hábitos e vícios da mãe, com tabagismo, estresse muito intenso na gravidez, carga excessiva de trabalho, hemorragia no começo da gestação, alguns tipos de corrimento, gravidez múltipla, intervalo curto entre uma gestação e outra, e gravidez na adolescência são fatores de risco para a prematuridade”, enumera Passini. Além disso, obesidade e pressão arterial elevada também podem aumentar esse risco.

Segundo Priscila, além da pouca idade, o corpo dela “rejeita” o feto logo após a formação dos órgãos. “O médico explicou que é como se meu corpo não aceitasse a gravidez e rejeitasse o bebê após o quarto mês, quando ele já está formado”.

Oito anos depois, aos 23 anos, Priscila engravidou e enfrentou o problema da prematuridade novamente. A pequena Pietra, que hoje tem um ano, ficou apenas 31 semanas no útero materno. Nasceu de seis meses.

“Os enjoos voltaram e eu emagreci muito. No final da gestação, fiquei 15 dias internada. Fizeram um exame de sangue deu alteração. Fiz uma ultrassom e o médico disse que não tinha líquido na minha bolsa e que ele não conseguia ouvir os batimentos cardíacos da bebê. Fui direto para sala de cirurgia”.

A menina nasceu em outubro do ano passado com 1.470 kg e, segundo a mãe, nasceu tão saudável que chegou a ficar 42 horas sem auxílio para respirar. Mas depois de um tempo, o estado de saúde regrediu e Pietra começou a perder peso (ficou com 1.115 kg). Ficou na UTI por 22 dias.

IG