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Maioria dos declarantes do IR no RN tem renda média de R$ 6,4 mil por mês

26/07/2026

Profissões com diferentes níveis de remuneração ajudam a explicar as disparidades de renda entre os declarantes do Imposto de Renda no Rio Grande do Norte. (Foto: Alex Régis)

Fernando Azevêdo

Repórter

A maior parte dos potiguares que entregaram a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026 informou rendimento total anual de até R$ 200 mil. Nessa faixa, a renda média mensal dos declarantes no Rio Grande do Norte é de R$ 6.423,33, acima da média nacional, que ficou em R$ 6.074,16. Em todo o país, 35,47 milhões de contribuintes estão nesse grupo. Os dados são do painel Perfil do Declarante IRPF, da Receita Federal, consultado nesta sexta-feira (24).

As informações permitem traçar um panorama socioeconômico das pessoas que declararam o IRPF 2026. Considerando todas as faixas de rendimento, a média mensal no RN é de R$ 11.657,50. No total, 41,5% dos declarantes são casados e 46,4% são mulheres. A idade média é 49,3 anos. A média de rendimentos totais é R$ 139,89 mil, e a média de patrimônio, R$ 214,38 mil.

Dentro da faixa majoritária (até R$ 200 mil), 45,5% dos declarantes potiguares são mulheres, 40% são pessoas casadas e a idade média é de 46,9 anos. A média de rendimentos totais declarados na faixa é de R$ 72,89 mil, e a média de patrimônio dos potiguares é de R$ 143,96 mil.

Apesar disso, o rendimento declarado pelos contribuintes do IR está distante da realidade da maior parte da população potiguar. Em 2025, o rendimento médio mensal no Rio Grande do Norte foi de R$ 2.731, abaixo da média nacional, de R$ 3.367. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quando a renda é dividida por todos os moradores da casa, 60% dos potiguares – cerca de 2 milhões de pessoas – viviam com apenas R$ 1.334 por mês em 2025, menos de um salário mínimo.

O economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon-RN), destaca que “o nível de pobreza de renda do RN” é alarmante. Segundo dados do IBGE, 10% da população (cerca de 345 mil potiguares) viviam com a média de R$ 307 por mês de renda domiciliar per capita em 2025.

“Seis em cada dez potiguares hoje declaram viver com menos de um salário mínimo dentro da sua casa. É um dado alarmante, porque ainda persiste no Brasil, e em especial no Rio Grande do Norte, uma alta concentração de renda”, diz o economista.

Na visão de Arthur Néo, é preciso haver políticas públicas para elevar a renda dos potiguares, além de industrializar o estado e gerar empregos com mão de obra qualificada. “Estudos apontam que a elevação do nível educacional é importantíssima. Só que, só elevar o nível educacional não é mais garantia de aumento de renda. Ao mesmo tempo, [é preciso] criar ambiente de negócio para que essas pessoas realmente possam exercer a sua profissão”, diz.

Minoria ganha mais

Os que ganham mais no RN são uma minoria, segundo os números das declarações enviadas à Receita Federal. As faixas de rendimento total contêm os seguintes números de contribuintes: 0 a R$ 200 mil/ano: 354,7 mil; R$ 200 mil a R$ 600 mil/ano: 59,5 mil contribuintes; R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão/ano: 6,4 mil contribuintes; e mais de R$ 1,2 milhão/ano: 2.359.

A quantidade de mulheres declarantes cai à medida que a faixa de rendimentos aumenta: 44,9% declararam na faixa de R$ 200 a 600 mil; 32% na faixa de R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão; e apenas 26,7% na faixa de R$ 1,2 milhão.

Já o rendimento total médio é menor para pessoas pretas (R$ 107,02 mil) e pardas (R$ 121,44 mil) do que para pessoas brancas (R$ 166,20 mil). Pessoas indígenas têm rendimento total de R$ 116,76 mil no RN, e pessoas amarelas, R$ 129,44 mil.

O número de pessoas com cônjuges acompanha o aumento de faixa. Da faixa de R$ 200 mil a R$ 600 mil, 56,4% são casados, com idade média de 55,6 anos e média de 0,7 dependentes; na faixa de R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão, 67,4% são casados, com idade média de 55,5 anos e média de 0,8 dependentes; e acima de R$ 1,2 milhão, 69,4% são casados, com idade média de 54,8 anos e média de 0,8 dependentes.

Em nível nacional, 44,7% das pessoas que declararam o IRPF 2026 eram mulheres, e 42,9% dos declarantes eram casados. A média de idade é de 47,8 anos, e a média de dependentes é 0,5. As médias de rendimentos totais e de patrimônio são, respectivamente, R$ 162,93 mil e R$ 408,32 mil.

Por faixas, as quantidades de declarantes no Brasil são: até R$ 200 mil (35,47 milhões); R$ 200 mil a R$ 600 mil (5 milhões); R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão (0,8 milhão); superior a R$ 1,2 milhão (0,44 milhão).

Profissões melhor remuneradas

As cinco profissões que melhor pagam no RN em 2026, segundo os rendimentos totais apresentados no painel da Receita, são: titular de cartório; membro do Ministério Público (procurador e promotor); membro do Poder Judiciário (ministro, juiz e desembargador) e do Tribunal de Contas (ministro e conselheiro); advogado do setor público, procurador da Fazenda, entre outros; e piloto de aeronaves, comandante de embarcações e oficiais de máquinas.

O rendimento total dessas profissões varia na faixa de R$ 44 mil a R$ 107 mil por mês, o que representa um montante anual entre R$ 528,1 mil e R$ 1,29 milhão.

O patrimônio médio dos profissionais no estado, conforme as declarações de IRPF 2026, é de R$ 4,9 milhões (membros do MP); R$ 4,5 milhões (membros do Judiciário); R$ 1,1 milhão (titular de cartório); R$ 1 milhão (servidor das carreiras do Banco Central, CVM e Susep); R$ 1 milhão (técnico em mineralogia e geologia); e R$ 1 milhão (médico).

A reportagem foi às ruas de Natal para saber o que vem à mente das pessoas quando são perguntados sobre que profissões pagam melhor no RN.

 

Tribuna do Norte

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