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Indígena de 29 anos que caminhava 8 km para estudar, vendia banana, farinha e peixe para comprar materiais escolares é aprovado em 1º lugar em medicina

16/08/2026

Foto: Reprodução

 

O jovem indígena Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, da etnia Sateré-Mawé, foi aprovado em 1º lugar no curso de medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira,  no Pará.

A aprovação é resultado de uma trajetória marcada por dificuldades. Durante a infância, vivida em situação de pobreza no Amazonas, Janilson percorria cerca de 8 km todos os dias para chegar à escola.  

A família vivia da agricultura familiar e da pesca. Janilson cresceu ajudando os pais, Raimundo dos Anjos, de 82 anos, e Maria dos Anjos, de 75 anos, a vender banana, farinha e peixe. A partir das vendas, o amazonense conseguia comprar o próprio material escolar.

A realidade da comunidade era marcada por muitas dificuldades: faltavam materiais escolares e, muitas vezes, ele não tinha caderno, lápis ou caneta para estudar.

“Em diversas ocasiões, professores me doaram cadernos para que eu pudesse continuar frequentando a escola”, relembrou

A infância também foi marcada pela falta de acesso à saúde. Janilson relatou que muitas pessoas adoeciam de malária e dengue na comunidade e que viu crianças perderem a vida por causa dessas doenças. Um dos momentos mais difíceis foi perder um irmão para a malária.

Aos 15 anos, quando foi para o ensino médio, a família conseguiu se mudar para a sede de Boa Vista do Ramos. Foi quando Janilson passou a se dedicar ainda mais aos estudos.

Sem condições de pagar cursinho e sem acesso à internet em casa, ele estudava sozinho, com materiais conseguidos por doação, por cerca de duas, três e, às vezes, quatro horas durante a madrugada. Ao mesmo tempo, continuava vendendo banana e farinha com a família.

O jovem conta que foram seis anos de estudo tentando uma vaga em medicina.

“Durante esse período enfrentei muitas dificuldades financeiras, ansiedade e depressão, mas nunca desisti. Na minha última tentativa, eu disse para mim mesmo que seria a última vez que faria vestibular”, relembrou o estudante.

O resultado foi um dos momentos mais marcantes da vida dele. Quando saiu o listão, Janilson procurou o próprio nome e não encontrou. Acreditou que tinha sido reprovado. Mesmo assim, resolveu assistir à transmissão da UFPA em que o coordenador lia os nomes dos aprovados.

“Eu já estava conformado com a reprovação, apenas queria saber quem tinha conseguido a vaga. Então ouvi meu nome sendo anunciado em primeiro lugar. Fiquei sem acreditar. Foi um choque muito grande”, diz. “Demorei dias para entender que aquilo realmente estava acontecendo.”

Janilson foi aprovado em primeiro lugar no processo seletivo especial para indígenas e tinha visto a lista de classificados no processo seletivo geral.

O interesse pela área da saúde surgiu quando Janilson acompanhou um tio que precisou sair do interior para Manaus. Lá, descobriram que ele tinha câncer.

“Acompanhar o sofrimento dele e perceber as dificuldades que pessoas do interior enfrentam para conseguir atendimento médico despertou em mim a certeza de que eu queria ser médico”, destacou.

 

Do g1

 

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