Policial

Delegado critica soltura de suspeito de matar guarda municipal: como se réu primário tivesse carta branca para cometer crimes

17/09/2026

Foto: Reprodução/TV Tropical

 

O delegado Márcio Lemos, diretor do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, criticou a decisão da Justiça em colocar em liberdade Paulo Sérgio Andrade dos Santos, suspeito de matar o guarda municipal Enilson Azevedo da Silva. O suspeito passou por audiência de custódia nessa terça-feira (15). "Considerou que o réu primário pesava para a liberdade, como se ser réu primário tivesse carta branca para cometer qualquer tipo de crime", afirmou em entrevista coletiva nesta quarta-feira (16).

Para Lemos, a decisão da Justiça pode causar um desestímulo nas forças de segurança. No entanto, ele mandou um recado. "Somos acostumados a trabalhar na adversidade. Mas isso não vai nos parar. Quando você relaxa uma prisão, você diz que ela é ilegal. Como assim? A gente tem que tomar decisões no calor da emoção. A gente foi para um diligência com três policiais, com um suspeito, a princípio, armado e perigoso, que acabou de cometer um crime. O perigo maior é para nossas vidas, a gente se arrisca e fica consternado sem entender uma decisão dessa", frisou.

Segundo o delegado, nos depoimentos, Paulo Sérgio confessou o crime com riqueza de detalhes. "A confissão é robusta, detalhada e minuciosa. Ficou afastado que ele não quis agir contra o agente de segurança pública. Foi um crime pessoal. O motivo apurado com testemunhas é que eles teriam um relacionamento, mas ele nega", contou Lemos.

Ainda de acordo com a investigação, o suspeito foi encontrado em Caiçara do Norte e já estaria se preparando para seguir para outro lugar. "Fomos na casa, apreendemos objetos. Ele já estava em fuga. Entramos em contato com a família, a mãe reconheceu ele nas imagens. O pai reconheceu que ele pegou a moto da vítima, foi até o pai no trabalho. Ele estava em um posto de gasolina, já empreendendo outra fuga. Ele confirma que escondeu a arma. Na volta a Natal, ele nos levou até uma área de mata, mas não encontramos", relatou.

Na entrevista, o delegado também falou sobre a dinâmica da morte. "Nunca vi um flagrante com tantos elementos de provas técnicas, ao ponto de não precisar coletar mais nada. Isso foi até reconhecido pelo juiz. Tudo indica que ele matou de forma a não ter defesa. Ele estava em uma rede. O tiro entrou pela parte superior da cabeça e saiu embaixo do pescoço, de cima para baixo", detalhou.

"Não houve conflito. Ele [a vítima] possivelmente estava dormindo. Há vários laudos periciais, que, com certeza, podem trazer mais comprovações. Mas não precisamos disso para ter mais convicção que foi ele. Ele confessou duas vezes com riquezas de detalhes. Todas as provas estão em um só sentido", encerrou o delegado.

Enilson, que integrava a Guarda Municipal de Ceará-Mirim, foi encontrado morto dentro da própria casa no conjunto Encanto Verde, entre Natal e Parnamirim, no domingo (13).

 
 
 
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